Install theme
Amei o tumblr *-* +f ... +f ? obrigada.

Awwn, obgd *-* seguindo de volta sz

Apesar de todos os esforços ninguém vive para sempre.
A menina que roubava livros. (via animicida)
Que porcaria, isso. Eu assisti essa pessoa depilando as axilas debaixo do mesmo chuveiro. Eu vi essa pessoa de pijama. Eu transei sem camisinha com essa pessoa. Eu aturei o seriado Grey’s Anatomy sempre que essa pessoa chegava antes no controle-remoto. Eu rabisquei os azulejos com batom insinuando amar para sempre essa pessoa. Fui ao supermercado às onze da noite porque essa pessoa estava a fim de comer batatinhas sorridentes. Eu me preocupei com as provas semestrais dessa pessoa. Eu baixei da internet canções de quem não gosto, como as do Jack Johnson e Guns N’ Roses, para que essa pessoa pudesse correr no parque alegremente aos sábados. Eu esfreguei à mão as calcinhas sujas dessa pessoa. E agora essa pessoa simplesmente desfila na minha frente com outra pessoa. Sei que depois disso enchi a cara.
Gabito Nunes. (via animicida)
Tom tem 2 anos e é autista. Ele não é diferente de ninguém. É como deveríamos ser: vulneráveis. Tom não mente, não engana, não se protege como a gente. Um menino inteligente ao extremo. Sua inteligência é sensibilidade. Não descansa um minuto de sentir. De piscar comparações. De fazer operações matemáticas e musicais. Uma pomba na janela é um terremoto. Um tombo na bicicleta é um colisão de estrelas. Mexer os cabelos é um aplauso. Não há suavidade disponível para sua absorção. O conhecimento é feito por descobertas chocantes que exigem a mobilização do corpo inteiro. É como se toda a lembrança fosse sublinhada. É como se toda a observação fosse inesquecível. Tom me encara de lado, seu ouvido é que me olha. Ele busca não interromper o ritmo das coisas. Os objetos têm sangue. Os objetos têm porta-retratos. Os objetos têm rosto. Imagine se você realizasse tarefas escutando seu batimento cardíaco? Este é o autista. Com o ouvido de dentro e o ouvido de fora, simultâneos. A porta da sala bate na sala e no coração. O vento assobia na janela e no coração. Eu amo muito o Tom porque nunca vi um pai como Godá. Godá é aparentemente desajeitado, boêmio, bagunçado. Mas se dedica ao filho com uma delicadeza disciplinada que somente existe no interior dos animais selvagens. Sua paciência é um presépio inesperado no deserto. Ele explica três, quatro vezes, sem nunca alterar a doçura do timbre. Sem jamais apresentar irritação pela repetição. Ainda que esteja compondo ou ocupado com a vida adulta, para a respiração e se põe a conversar. Usa as mãos com gestos lentos de giz. Toda resposta é nova mesmo que seja antiga. A atenção pede a mirada firme e cúmplice, com duas colheres de açúcar. Tom pega o arroz com os dedos. Godá se aproxima e mostra que o garfo é mais divertido do que a mão. Tom volta a comer com a mão. Godá insiste que o garfo é uma extensão de boneco. Uma luva de robô. Tom entende por cinco minutos, e Godá rearticula a fábula acrescentando um detalhe a mais de ternura. Naquela casa, a noite é tarde demais, a biblioteca é longe demais. As histórias estão pousando a qualquer instante. Tom beija a televisão. Godá diz que a televisão muito perto machuca os olhos. Tom beija de novo a televisão. Godá pede beijo no lugar da televisão. O pai é um televisor que não prejudica a boca. Tom ri alto. E beija o pai. Para depois voltar a beijar a televisão.
Fabrício Carpinejar. (via delator)
Quantas vezes você teve que engolir o choro, para não chorar na frente dos outros?
Há 2 semanas · 16.537 notas · reblog
C    renovador